Preto e Branco – Parte II
Em vão tentei achar uma grande angular para uma máquina Praktica BC1 (uma velha máquina fotográfica mecânica, alemã, que comprei em um antiquário em Buenos Aires), depois de consultar vários lugares nada encontrei. Fui até o lugar onde funcionava a Cinótica e pude comprar filme preto e branco. Perguntei se revelavam estes filmes e me indicaram um lugar muito perto dali, no número 50 da Rua Barão de Itapetininga.
Cheguei ao lugar indicado e se tratava de um edifício. Depois de me identificar fui informado que o Laboratório do Sr. Ogava ficava no 9º. Andar. Primeira surpresa, os elevadores têm ascensorista, isso mesmo, gente, ser humano que te leva ao andar indicado, e ainda por cima fala contigo e te trata com enorme educação.
Desci do elevador e me encaminhei para o conjunto 908. Na porta um bilhete que vale a pena a referencia: “Após tocar a campainha favor aguardar até 3 minutos”. Sabe por quê? Porque se corre o risco do Sr. Ogava, que trabalha sozinho, estar dentro do laboratório revelando algum filme, e como o processo de revelação demora mais ou menos este tempo, ele quis se garantir que você não vá embora após tocar a campainha e esperar algum tempo.
Como neste dia o Sr. Ogava não estava dentro do laboratório, em seguida, atendeu a porta. Trata-se de um senhor oriental, franzino, com sotaque carregado e apaixonado pelo que faz há 51 anos: revelar fotografias. Acredite, ele trabalha a 51 anos no mesmo lugar, por isso muitos caçoam dele dizendo que ele nasceu naquela sala. O lugar é um tanto quanto bagunçado, mas tenho certeza de que ele é capaz de lembrar onde está cada uma das coisas que tem por lá. Divertido e comunicativo, este homem sabe tudo e mais um pouco de fotografia P&B.
O Sr. Ogava revela fotografias de maneira manual, artesanal. Se você precisa revelar somente a película ele o faz, se necessita ampliar, reproduzir seus negativos, fazer contato dos negativos, reproduzir a partir de diapositivos (slides), este é o lugar certo. Ao sair fui agraciado com outra pérola: a lista de preços, que você pode ver com seus próprios olhos clicando aqui.
Deixei o meu filme preto e branco, cujas fotos fiz no Teatro Municipal e Praça Ramos de Azevedo e com muita ansiedade e expectativa voltarei para buscar em 3 dias. Ah um detalhe importante, o Sr. Ogava somente trabalha a tarde. Mas o que mais me chamou a atenção foi a felicidade deste senhor que faz o que gosta, trabalha se divertindo ou se diverte trabalhando, não sei ao certo.
Depois de sair, do prédio ainda pude conhecer o Museu do Theatro Municipal de São Paulo, que é muito interessante, e também fica na Praça Ramos de Azevedo. Em seguida caminhei até um café que conheci no inicio dos anos 90. Felizmente, o Canelinha, um minúsculo café na Rua Dom José de Barros, 32, continua no mesmo lugar, com freqüência diminuída, mas o café continua excepcional, especialmente o canelinha que se transformou no cartão de visita da casa. Vá conferir que vale a pena, mesmo que você não goste de fotografia.
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8 respostas para “ Preto e Branco – Parte II ”
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16 de Outubro de 2008 @ 10:02
Luiz, Boa dica!
É raro, mas ás vezes curto essa aventura de fotografar em P&B.
A próxima será no MFSP (Museu do Futebol de São Paulo). Depois, vou mandar revelar no Mestre Ogava.
Abraços, Facó
16 de Outubro de 2008 @ 11:26
Luiz, gosto muito de suas narrações sobre Sao Paulo e sobre os valores tão importantes do ser humano. Esses valores de bem atender os outros, de ser apaixonado por tudo que se faz, (descrição feita ao ascensorista e ao fotografo), sao valores cada dia menos encontrados nas pessoas de grandes cidades. A roda viva e a ciranda financeira tornam as pessoas insensiveis. Parabens pelas suas experiencias. Vanessa
21 de Outubro de 2008 @ 20:06
Embora o tema do artigo seja “Preto e Branco”, durante a viagem que fiz ao lê-lo, pude perceber o colorido, com muitos tons, desta incursão no centro velho de São Paulo. Sem falar na vida no rosto do Sr. Ogava que salta o texto com emoção e paz…e que transcende o “Preto e Branco”…
27 de Outubro de 2008 @ 16:30
Muito bacana este blog! E conforme prometido (encontramo-nos no laboratório do sr. Ogava), estou aqui deixando este comentário! Abraço!
16 de Dezembro de 2008 @ 12:52
Luiz,
O trabalho do Sr. Ogawa (ou Ogava) de fato é muito precioso. Uma vez levei uns negativos 120 vencidos há mais de 10 anos e ele fez uma revelação fantástica, como se o material fosse novo. A melhor revelação que já vi, pelo menor preço. É ótimo que algumas pessoas ainda gostem do charme do filme preto e branco, para que esses profissionais continuem na ativa.
Abraços.
16 de Fevereiro de 2009 @ 10:02
Por favor, onde fica o laboratório do Sr. Ogawa? Sou de Marília, int. de sp. Obrigado.
16 de Fevereiro de 2009 @ 10:13
Elandio,
O laboratorio do Sr Ogawa fica na Barão de Itapetininga, 50 - 9o.andar, mas ele trabalha apenas no periodo da tarde (14 às 18h). O telefone do Ogawa é 3255-4336.
Nas duas cronicas menciono várias vezes o endereço, também nos comentários menciono onde comprar filmes P&B, etc.
29 de Abril de 2009 @ 17:07
De acordo com os dois maiores laboratorios de processamento de filmes da Inglaterra, Klick Photopoint e Max Spilmann, afirmam que definitivamente a fotografia digital vai fazer para a fotografia com filme o que fez o CD com o vinil.
O processamento de filmes teve o seu pico em 2000, com a venda de 100 milhões de rolos por ano, somente no Reino Unido. Desde então, o declinio vem sendo muito acentuado, e em 2008 alcançou algo como 15 milhões de rolos.
A quantidade de lugares que processam filmes também reduziu dramaticamente no Reino Unido porque os varejistas trouxeram novos mini labs que imprimem fotos digitais em supermercados, shopping centers e grandes cadeias de lojas.
Nos ultimos quatro anos, no Reino Unido foram vendidas mais 6.5 cameras digitais, diz Nigel McNaught que é diretor de operações da Photo Marketing Association.
O número de fotos que estão sendo tiradas hoje é muito maior do que anteriormente foi, em qualquer época, com o filme. Pessoas adoram a flexibilidade da tecnologia digital, que também abriu um novo mercado para as redes de varejo. No entanto, embora todos nós estamos tirando mais fotos do que nunca, temos tendência para deixar as imagens lá dentro nossos computadores. O desafio agora para os varejistas é persuadir as pessoas a imprimir as suas imagens.
Artigo extraido da revista Business Life da British Airways de março de 2009.