Acaso ou necessidade?
Muitas empresas estão se antecipando e fazendo uma limpeza em seus quadros através da eliminação de gente – em muitos casos não de posições – para acomodar-se a nova realidade. Ha uma confusão, talvez premeditada, entre crise financeira e crise na empresa, ou seja, muitas empresas estão aproveitando a situação da crise de mercado para redefinir seus quadros de pessoal.
Outro ponto que acredito ser inevitável de agora para adiante é a revisão dos salários. Não dá para seguir com o nível insano de remuneração, em especial para os altos executivos, ate então em pratica no mercado. Alem de salários astronômicos o grau de liberdade dado a muitos executivos causou enormes prejuízos para muitas empresas, com isso, é inevitável que estas busquem formas de fechar estas brechas.
Alem de reduzir salários, a forma de remuneração também deve ser revista, desestimulando estes profissionais a buscarem alternativas de mostrar resultados, nem sempre consistentes, o que pode levar a surpresas desagradáveis. A transparência da gestão devera ser o ponto nevrálgico para muitas organizações, e a confiança nos gestores jamais será a mesma, portanto, os gestores deverão de adaptar a nova realidade de serem constantemente questionados e estarem preparados para responder com transparência e firmeza.
A tendência até então de contratar profissionais com menos de 40 anos para posições estratégicas, certamente também passará por ajustes, uma vez que profissionais, mais experimentados, sabem lidar com maior facilidade com situações de crise. Em geral, profissionais na faixa dos 50 ou 60 anos de idade, vivenciaram diversas crises, por isso, trazem na bagagem conhecimento empírico o que os credencia primeiramente a melhor avaliar risco e depois habilidade para enfrentar dificuldades.
Como se observa além da restrição ao crédito existem outras conseqüências que a atual crise financeira dos mercados globais ainda terão que enfrentar, algumas delas bem pouco previsíveis ha alguns meses. As mudanças no topo da pirâmide das empresas serão inevitáveis no curto espaço de tempo, de maneira a permitir a readequação com a nova realidade. Não se trata de acaso apenas de necessidade.
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3 respostas para “ Acaso ou necessidade? ”
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22 de Dezembro de 2008 @ 17:08
Eh a crise veio mesmo para valer. Minha empresa esta quase quebrada e eu que trabalhei duro por ela durante 12 anos agora desempregado. Creio que foi isso mesmo, me usaram de boi de piranha, eles se aproveitaram da situacao para me demitir… Acho que nao e justo demitir alguem faltando pouco mais de uma semana para terminar o ano.
8 de Junho de 2009 @ 18:59
estou fazendo uma monografia sobre a influencia das decisões dos executivos dentro das organizações e queria saber quais decisões por eles tomadas que poderia prejudicar ou beneficiar as organizações
23 de Junho de 2009 @ 12:39
Olá Ellaine,
Primeiramente obrigado pelo interesse e me desculpe pela demora em responder, mas tenho me ocupado muito com assuntos profissionais e quase não me sobra tempo para o blog.
Respondendo a sua pergunta, todas as decisões tomadas pelos executivos que envolvem o resultado operacional das empresas podem influenciar as organizações de maneira positiva ou negativa. Quando me refiro ao resultado operacional, estão implicitos neste conceito uma série de quesitos, especialmente o social e financeiro. O financeiro é facil de medir, já o social nem sempre é tangível, mas em um ambiente sustentável é fundamental que este aspecto seja respeitado.
Tenho me questionado muito sobre os limites impostos pela sociedade capitalista, especialmente os de pensamento neoliberais, que nos últimos tempos dominaram a sociedade de maneira obsessiva e descontrolada. A verdade é que as empresas e as entidades financeiras tem buscado unicamente o crescimento perpétuo. Como em nosso sistema economico social, sempre existem limites, e como a busca dentro dos mercados existentes exauriu-se, a saida foi criar mercados inexistentes. As consequencias voce já sabe.
Portanto, isto mostra claramente que os executivos que comandam as empresas direcionam o curso das mesmas para o bem ou para o mal, dependendo de uma série de fatores. Em geral, os resultados negativos raramente estão associados a falta de experiencia, mas a falta de ética. Muitos destes executivos movidos pela ganancia pelo poder e dinheiro, tomam decisões que visam unicamente o lucro imediato sem medir as consequencias a longo prazo.
Isto parece ter conexão com a vaidade destas pessoas, que ao ver seus rostos estampados em jornais e revistas sentem-se realizadas, por isso, são capazes de fazer qualquer coisa para chegar lá. O fato de ser um executivo de sucesso também faz render polpudos bonus. Recentemente se noticiaram vários casos onde foram pagos bonus elevados para executivos de empresas que em seguida foram a liquidação judicial com falencia decretada. Como explicar isto? Não tem muito o que explicar, na verdade o que se passou foi que se perdeu a noção entre a realidade e a ficção.
Bem, este é um resumo do meu pensamento, se quiser falar comigo envie um email para la@luizalves.net e acertamos uma conversa mais longa.
Abraços.