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Com ou sem hífen

Escrita - Escrita
Sempre ouvi dizer que o brasileiro é criativo, o que se faz refletir no idioma falado entre as pessoas, especialmente por ser o Brasil um país com dimensões continentais e com grande diversidade de culturas e costumes. A partir de 1º. de janeiro de 2009 entrou em vigor uma nova revisão ortográfica, que entre outras mudanças introduziu uma nova regra para o uso do hífen que promete gerar muita confusão.

Aliás, as continuadas evoluções do Português brasileiro estão criando uma língua que nada tem a ver com as suas origens. Não compete a mim analisar se isto é bom ou ruim, apenas comento o fato de que o idioma falado no Brasil experimentou fabulosa evolução. Para entender um pouco da extensão deste comentário, basta ler um livro publicado em português do Brasil no inicio do século XX, ou seja, a menos de 100 anos atrás. Veja o exemplo abaixo, extraído do livro O presidente Negro, de Monteiro Lobato, publicado em 1926:

“Bastou um século de intelligente e systematica aplicação dessas leis aureas para que se alçasse o povo americano a um gráo de elevação physica, mental e moral que nem o proprio Owen chegara a sonhar. Fecharam-se as prisões e com ellas os hospitaes, hospicios e asylos de toda a especie. E os sociologos da epoca entraram a assombrar-se da estupidez dos seus ancestraes…”

ou :

“Senhor presidente, a minha idéa está formada e eu a consigno nesta moção, que tenho a honra de submetter a votos. Vou lel-a.”

Veja como se usava o hífen; estranho não? Algo bizarro para os padrões atuais, mas que pode ser exatamente esta mesma experiência enfrentada em futuro próximo. E as palavras com duplo ele? Além disso, parece-me que a recente incorporação do “y” ao abecedário português já havia sido feita anteriormente.

Outro ponto não menos complexo, pelo menos para mim, são as novas regras para o acento diferencial que desaparece em quase todas as palavras. O problema é o quase, porque quando a regra não é geral a dificuldade para entender aumenta exponencialmente. Assim sendo, a palavra pára (do verbo parar) deixa de ter acento, por isso o transito não pára mais, agora o transito sempre para. Por outro lado as pessoas continuarão a pôr a mesa, já que o infinitivo do verbo “pôr” e o pretérito perfeito de “poder” (pôde) são exceções a regra.

A verdade é que a língua é dinâmica e evolui mesmo que alguns considerem que esta ou aquela evolução não é a que melhor se encaixa na maneira que a população se comunica, especialmente a forma mais culta. De qualquer maneira o acordo foi selado, portanto somente nos resta adotá-lo com mais ou com menos dificuldade. Agora diga rapidamente; qual é a forma correta de escrever: anti-semita ou antissemita, ou ainda bem-feito ou benfeito?

 

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2 respostas para “ Com ou sem hífen ”

  1. Fabi disse:

    Concordo que o uso da língua faz com que surjam evoluções, uma vez que tudo a nossa volta está em movimento e tente a se transformar sob determinar perspectivas.

    O que não dá para conceber são as involuções. Certas abreviações na internet agilizam a comunicação-, eu mesma sou adepta de algumas delas- mas falar o tempo inteiro kkkkk, jjjjjj, e coisas do tipo, é absolutamente incompreensível.

    Talvez eu esteja ficando velha pra certos modismos.

  2. Monica disse:

    Como em tudo na vida, vamos ter q reaprender e nos adaptar. Claro que não é por isso, mas mais importante de tudo é o povo saber escrever corretamente, o que ainda é uma realidade que não existe. O que vemos em empresas, principalmente, de pessoas escrevendo errado e não só na ortografia, mas também no uso correto da pontuação, encadeamento de idéias, textos que fazem sentido. E olha que não é só o povão que está nessa realidade. Já vi muitos altos executivos que não sabem escrever direito. A alteração da ortografia, na minha opinião, só vai dificultar mais ainda que as pessoas escrevam direito.

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