A reinvenção do Capitalismo
Re-inventar o capitalismo significa mudar completamente os paradigmas atuais, e abrir espaço para questões fundamentais para o ser humano, que até agora estiveram fora das agendas daqueles que buscaram o lucro a qualquer preço.
Creio que nem tudo que deve acontecer na economia global já aconteceu, com isso, ainda estão reservadas algumas surpresas desagradáveis para um futuro próximo. Pouco ou nada se falou sobre outro setor que teve crédito abundante, que a meu ver é uma grande ameaça, especialmente nos Estados Unidos. Trata-se do setor de cartões de crédito. Diferentemente do que ocorre em outras geografias, as compras com cartões de crédito nos Estados Unidos as têm forte participação, com isso, é muito provável que exista um forte endividamento, o que poderia levar a uma onda generalizada de calotes. Como conseqüência poderá vir mais prejuízos para as instituições financeiras, que podem levar a novas intervenções dos governos. Não é preciso lembrar quem pagará o preço, certo?
Existem muitas opiniões sobre a abrangência da reforma do sistema financeiro global, com mais ou com menos intervenção dos governos, assim como diferentes tipos de controles, mas o que parece ser consenso é a necessidade de reconstruir um novo sistema capitalista. Vou mais longe, creio que será necessário reinventá-lo, dado que quase nada que funcionou até agora atenderá as exigências de controle de riscos.
O mundo começa a maturar a idéia de reconstruir o sistema capitalista, mas a primeira coisa a ser feita é a desconstrução dos velhos paradigmas, momento este que começamos a atravessar. De maneira a provocar algumas reflexões listo algumas mudanças que podem vir e que deveremos nos preparar para enfrentar.
Barril do petróleo na faixa dos US$40 – para muitas economias isto representará um alivio, para outras trará grandes transtornos. Os países árabes continuarão a abundar nos petrodólares, embora com menor afluência, isto levará a diminuição do poder econômico dos países produtores de petróleo, assim como impactará a matriz de consumo de energia. A queda acentuada do preço do petróleo atingiu em cheio os planos da Petrobrás em duas vertentes: na exploração da camada do pré-sal e na produção de combustíveis a partir de fontes alternativas. Embora não exista segurança de qual seja o patamar adequado para o preço do petróleo, parece existir uma percepção global de que os preços praticados antes da crise estavam completamente fora de propósito.
Redução de salários – desde meu primeiro comentário sobre esta crise financeira eu observei que os salários não seriam os mesmos após a crise, e continuo firme com este ponto de vista. Mais do que isto, os salários serão reduzidos não somente no primeiro escalão, onde os ganhos estavam fora de qualquer propósito razoável, mas também para os demais cargos. Em recente comunicado aberto o Governo de Cingapura alertou a população quanto a demissões e redução nos salários e recomendou prudência nos gastos. Isto vem em sentido oposto às ações de governos asiáticos que estão tomando ações para incentivar o consumo, mas a principal razão foi porque o governo de Cingapura já usou mais de US$5,4 bilhões para ajudar a população, o que levaria a uma situação de insolvência se este quadro persistir. Não tenho dúvidas que muitas empresas trocarão profissionais mais caros por profissionais mais baratos, o que provocará uma profunda revisão nos salários em todas as economias. É bom lembrar que a lei da oferta de procura abrange todos os componentes da economia, incluindo os salários.
Respeito ao meio Ambiente – Um dos pilares da reconstrução do sistema capitalista será respeitar o meio ambiente. Já ficou claro para o mundo que os impactos gerados pelo cambio climático põe a perder os avanços conseguidos a qualquer custo. Fará parte da agenda de todos os países, incluindo os outrora resistentes ao controle de emissões de gases de efeito estufa, incluindo os Estados Unidos, ações coordenadas de crescimento econômico guiadas por praticas ambientais sustentáveis. Certamente um dos fatores determinantes na construção de riqueza será o êxito na adoção de políticas de respeito do meio ambiente, dado que estas questões deixaram de ser interpretadas como discursos vazios de ambientalistas radicais e passaram a ser vistas como uma questão de sobrevivência.
Preços das commodities – Um dos efeitos provocados pela crise mundial foi a dramática redução no preço das commodities, e é bem pouco provável que este cenário venha a mudar no curto espaço de tempo. Uma das irracionalidades que o modelo econômico financeiro atual provocou foi a elevação do preço dos produtos tradicionalmente rotulados de commodities, incluindo os alimentos, petróleo e minério de ferro, portanto, o primeiro grande impacto foi o nivelamento de preços destes produtos a patamares mais racionais. Os preços dos alimentos como vinham sendo praticados provocou o aumento do número de famintos, especialmente em regiões menos favorecidas como o continente africano, portanto, um efeito positivo que esta redução de preços pode acarretar é melhorar o acesso dos excluídos a alimentação. A acomodação dos preços ainda sofrerá os efeitos dos estoques atuais e o novo patamar de produção mundial.
Preços das ações – Muitos tem se questionado se o preço das ações encontrou o preço certo ou se ainda existe espaço para reduções. Em base a crises anteriores do sistema financeiro, parece que as ações estão no patamar adequado, mas como não se sabe o que está por vir, fica difícil estabelecer um prognóstico. De qualquer maneira, em crises financeiras passadas, as ações caíram para valores abaixo do valor justo, para então subir em linha com a recuperação econômica. Este mercado, que tem por característica a volatilidade, neste momento se tornou uma incógnita, portanto não é para amadores, porque mesmo os profissionais ainda perderão o sono com as oscilações que o mercado enfrentará nos próximos meses.
É certo que a nova ordem econômica mundial exigirá mudanças profundas, mas que devem ser conduzidas com muita prudência para evitar que se instale uma crise de desconfiança que poderá levar ao caos, o sistema financeiro internacional. O único consenso existente nos mercados é que o modelo atual não tem mais espaço para prosseguir, sendo, portanto, necessário uma rápida e abrangente mudança, que o Brasil não pode ficar a margem.
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Uma resposta para “ A reinvenção do Capitalismo ”
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18 de Maio de 2009 @ 12:04
No auge do capitalsmo sinergia significa “mais com menos”. Ou seja, maior retorno com menos custos. Menos custo, principalmente na remuneração da força de trabalho. Na crise, o discurso “mais com menos” ganha força exponencial.
A concentração é imperiosa para “salvar” os capitalistas e o Capitalismo.
Não se aprende que após as crises, para sair das mesmas, novas alternativas que gerarão as futuras crises.
Paciente terminal de Hospital Privado que insiste em sobreviver tirando sangue, orgãos e recursos dos pacientes de Hospitais Públicos.