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A moda do descartável

arara - arara
O uso indiscriminado dos recursos naturais está levando a deterioração acelerada do planeta. Tudo virou descartável. Hoje se compra roupa, celular, sapato, computador e até automóvel como a visão de rápido descarte, ou seja, o celular comprado hoje vira lixo em dois anos, na média.

O plástico, convencionado como a invenção do século passado, se transformou na praga do século seguinte, dado que são necessários séculos para a sua completa decomposição na natureza. O uso indiscriminado de sacolas plásticas criou um problema enorme nos grandes centros urbanos. Em 2007 o Brasil produziu 18 bilhões de sacolas plásticas, a maioria fabricada com polietileno, que é um produto derivado do petróleo que leva 500 anos para se decompor.

Somente nos supermercados, são distribuídas cerca de 1 bilhão de sacolas plásticas todos os meses, sendo que 80% viram sacos de lixo domésticos e vão parar em aterros sanitários. Alternativas como a substituição das sacolas plásticas comuns por material oxibiodegradável estão sendo avaliadas, mas o uso do plástico ainda está longe de não ser nocivo ao meio ambiente. Portanto a melhor alternativa seria abolir o uso de tais sacolas no Brasil.

Outrora um grande vilão do meio ambiente, as garrafas PET (Politereftalato de ETila) estão sendo recicladas em níveis bastante elevados . Metade das 200 mil toneladas produzidas pelo Brasil se transformam em fibras que são usadas desde em roupas até telefones celulares. No entanto, não é porque este material é re-aproveitável, inclusive mais de uma vez, que o seu consumo deve ser incentivado. Certamente o uso de vasilhames reutilizáveis de vidro causaria muito menos dano a meio ambiente.

O lixo eletrônico também é outra séria ameaça ao meio ambiente. Ao virar sucata os computadores, celulares, tocadores de MP3 e outras maravilhas tecnológicas podem contaminar o meio ambiente se não for corretamente tratado. O celular, por exemplo, que em 2005 era trocado pelo brasileiro a cada 30 meses, passou a ser trocado em 24 meses, na média. Os japoneses e coreanos não ficam mais de 12 meses com o mesmo celular. Pense bem, hoje metade do planeta possui celular, somente no Brasil são mais de 150 milhões de linhas, o que representa 75 milhões de aparelhos descontinuados anualmente, que em boa parte vão para o lixo.

Segundo uma pesquisa global da Nokia, somente 4% dos usuários guardam celulares antigos em casa, o pior é que apenas 3% reciclam os aparelhos. Reciclar não é modismo, mas uma necessidade. Somente o cádmio presente em um único celular é suficiente para poluir 600 mil litros de água. Além disso, para extrair este minério, grandes florestas estão sendo dizimadas, em especial no Congo.

Além de reciclar, se as pessoas usassem o celular como um instrumento apenas, e não como um objeto de desejo, seria possível poupar a agressão ao meio ambiente, dado que a média de uso destes aparelhos é inferior a um ano. Embora não se divulgue muito, quase todas as lojas de fabricantes e operadoras de celulares funcionam como ponto de coleta para aparelhos descontinuados pelos usuários.

Em suma, tudo que consumimos de recursos do planeta vira dejeto ou provoca alguma degradação e não podemos assistir isto e esperar por medidas gerais criadas pelos governos. É certo que medidas como uma lei que proíba o uso de sacolas plásticas traria grande alivio ao meio ambiente, mas se cada individuo fizesse sua parte e cuidasse e especialmente reduzisse os 5Kg de lixo que, em média, gera diariamente, certamente o planeta seria muito melhor.

Através de medias simples como evitar o uso de sacolas plásticas, utilizando, por exemplo, sacolas de lona reusáveis, contribuiria muito para poupar o meio ambiente. A duas ou três décadas atrás era absolutamente natural as pessoas levarem sacolas as feiras livres e supermercados. O pão era embrulhado em uma fina folha de papel, e o leite era comprado em garrafas reusáveis de vidro.

O celular que você trocou, e que não te serve mais, pode ser usado por outra pessoa, além do ato solidário, o meio ambiente seria poupado. Espero que Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, esteja certo ao afirmar que a moda descartável acabou. Segundo ele, as pessoas vão comprar coisas mais duráveis, como se fossem investimentos.

 

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Uma resposta para “ A moda do descartável ”

  1. Pablo Martínez disse:

    … É realmente preocupante a falta de ações e evitar erros … isso é como beber água quando estamos Desidratados …

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