Dia mundial da Água
No dia 22 de março de 2007, escrevi o seguinte artigo, que hoje reedito por considerá-lo pertinente para a data que hoje se comemora e pífia evolução em medidas relativas ao problema de falta de água que já assola o mundo.

Esta homenagem foi criada, pois foi no dia 22 de marco do ano de 1992, que A ONU redigiu um documento intitulado “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Texto este, que merece profunda reflexão e divulgação por todos os defensores do Planeta Terra.
A água cobre 3/4 da superfície da terra, sendo 97% salgada, e apenas 3% doce. Contudo, do percentual total da água doce existente, a maior parte encontra-se sob a forma de gelo nas calotas polares e geleiras, parte é gasosa e parte é líquida - representada pelas fontes subterrâneas e superficiais. Já os rios e lagos, que são nossas principais formas de abastecimento, correspondem a apenas 0,01% desse percentual, aproximadamente. Isto mesmo, você leu certo, 0,01%.
O que estamos assistindo nos dias atuais com os combustíveis fósseis – onde o homem estabeleceu uma relação de dependência tal, que sua escassez elevou seus preços de maneira vertiginosa – deverá se passar o mesmo com a água. Desta maneira, o barril de água deverá, em poucos anos, valer mais do que o barril do petróleo. Segundo a ONU, atualmente cerca de 1,1 bilhões de pessoas não tem acesso a água potável. Se estima que até 2075 entre 3 e 7 bilhões de pessoas habitarão regiões com falta crônica de água.
Pense no seguinte. Embora o petróleo seja muito importante para os seres humanos, o homem conseguiria viver sem ele, visto que existem outras fontes de energia. É claro que se ficássemos sem o petróleo a partir de amanhã, os transtornos seriam enormes, mas de alguma maneira superáveis. Agora responda, conseguiríamos ficar sem água a partir de amanhã?
É evidente que não, pois o homem ainda não desenvolveu uma tecnologia que permita produzir água a partir de explorações subterrâneas, conversão da água salgada em água doce, ou qualquer outra técnica, de forma financeiramente viável, e em grande escala. Desta maneira, urge que tomemos consciência visando estabelecer o uso racional deste bem tão necessário.
Talvez por contar com abundância razoável de água doce, a população brasileira ainda não saiba valorizar e consequentemente usar racionalmente a água potável. É muito comum assistir a população lavando automóveis e calçadas com água potável, assim como regar o jardim. Por que não usar água de reuso para tal?
A reutilização ou o reuso de água ou o uso de águas residuais não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos, especialmente por povos que não contam com grande abundancia de água potável. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação.
Desta maneira, o reuso da água deve ser visto como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, incluindo o aproveitamento de águas pluviais. A água de reuso pode ser usada com eficiência na indústria e nas residências, e permitiria poupar substanciais volumes de água potável, reduzindo a demanda sobre os mananciais. Em sua casa esta água pode, por exemplo, ser utilizada para lavar calçadas, em caixas de descarga, para regar jardins, etc.
O tratamento de esgotos, por sua vez, ocupa papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Desta maneira, cabe as concessionárias de serviços de água coletar e tratar o esgoto de forma eficiente, permitindo assim reutilizar a água.
Você já reparou em sua conta de água? Observe que você paga a água duas vezes, ou seja, pressupõe-se que a água que entra na sua casa quase que integralmente sai em forma de esgoto. Desta maneira, há muito tempo pagamos o tratamento que “deveria” ser dado ao esgoto coletado de nossas residências. Agora você sabe qual é o percentual de esgoto tratado na no Brasil? Pasme, mas, mais de 90% dos esgotos domésticos e cerca de 70% dos efluentes industriais não tratados são lançados nos rios.
Talvez você pense que o Brasil seja o país que possui mais água per capita, certo?
Ledo engano o Brasil, embora ainda tenha posição privilegiada por possuir cerca de 12% da água doce do mundo, não figura nem entre os dez maiores no volume per capita, mas também não está entre os dez piores. Os cinco países com mais água per capita são: Guiana Francesa (812,12 m3), Islândia (609,32 m3), Guiana (316,69 m3), Suriname (292,57 m3) e Congo (275,68 m3). O país com menor volume de água per capita é o Kuait com 10 m3.
Apenas para deixar alguns pontos para reflexão, pense no seguinte:
Dois anos depois
Passados dois anos, a situação não mudou muito no Brasil. Embora a indústria, que sempre foi a vilã por poluir os rios, tenha avançado no reuso da água, está longo do ideal que seria reutilizar entre 70% e 80%. As empresas siderúrgicas que sempre foram às grandes consumidoras de água para produzir o aço estão levando a sério a questão do reuso. Motivadas mais pela questão do custo do que ambiental, empresas como a Arcelor Mittal de Tubarão, hoje reutiliza 97,4% da água que compra, assim como a Gerdau que trata 97,5% da água que entra na planta. Outro dado importante é que no caso brasileiro a Arcelor Mittal gasta cerca de 3,8 metros cúbicos por tonelada produzida, contra 11,5 metros cúbicos por tonelada, que é a média mundial.
Mas, a velocidade da adoção de medidas para aumentar o reuso da água, ou aproveitamento da água de chuva ainda são muito tímidas. Além disso, problemas maiores e mais complexos como o tratamento de esgoto e do lixo doméstico, ainda estão longe de serem resolvidos e pouco evoluiu nos últimos anos. Além disso, a disponibilidade hídrica – que engloba todo o consumo residencial, industrial, público e irrigação – caiu de 72,9 mil para 67,8 mil litros por segundo, fazendo com que a capacidade máxima tenha sido atingida, ou seja, na ocorrência de qualquer seca a população sofrerá com a falta de água. Medidas como trazer água que está disponível a mais de 200 ou 300Km da capital já fazem parte dos planos da Sabesp.
Isto posto, se torna imperativo encontrar medidas para racionalizar e reduzir o consumo. Claro que se cada um fizer a sua parte, as possibilidades de exito serão muito maiores. Pense a respeito.
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Uma resposta para “ Dia mundial da Água ”
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23 de Março de 2009 @ 15:52
Luiz, um texto muito bom, gostei muito. Parabéns.