Matinês aos domingos

Todos os domingos, na matinê que começava à 1 hora da tarde eram exibidos dois filmes. A programação era variada e incluíam os encantadores desenhos animados de Walt Disney, os filmes épicos como Sansão e Dalila e Ben Hur, os faroestes e os geniais filmes mudos. Como era divertido ver Charles Chaplin ou as trapalhadas do Masaropi.
Ah, me lembro também dos Cinejornais Primo Carbonari e o Canal 100, que apresentavam as noticias da semana antes do filme principal começar. O Canal 100 de Carlos Niemeyer, era o preferido do público masculino porque apresentava as cenas de um grande jogo de futebol como a última notícia. Havia um intervalo entre os dois filmes, que nos permitia comprar pipocas, doces e refrigerantes. E o lanterninha? O lanterninha era o cara que ajudava os atrasadinhos ou aqueles que saiam para ir ao banheiro voltarem para os assentos, usando uma lanterna vermelha.
A primeira vez que fui ao cinema sozinho, tinha oito anos. Depois de ouvir um rosário de recomendações da minha mãe, me encontrei com dois vizinhos e fomos para o cinema. Como estava garoando, minha mãe me fez levar um guarda-chuva que obviamente o perdi no intervalo dos filmes. O primeiro filme foi um desenho animado da Disney que me deixou entorpecido. No segundo, o Hercules, lutava sozinho contra um exército de homens e os vencia.
A sala era enorme, creio que tinha mais de 300 lugares. As cadeiras eram de madeira, com o assento basculante. A tela de projeção ficava encoberta por uma cortina vermelha, que se abria apenas no momento da projeção, era um luxo. Acho que a cortina era para proteger a tela dos chicletes que atirávamos e que lá ficavam grudados.
Tínhamos o hábito de grudar chicletes sob os assentos das cadeiras, talvez com a idéia de reaproveitá-los em algum momento. Às vezes os grudávamos sobre o assento para que alguém sentasse e sujasse as calças, e esta era a maior travessura que cometíamos.
Naquela época, como a projeção era feita com filmes de celulóide, que além de ser altamente inflamável, facilmente se rompiam durante a projeção. Quando isto acontecia, as luzes se acendiam e um coro de vaias, era inevitável porque tomava alguns minutos para emendar o filme e seguir a projeção. Mas logo todos se acomodavam e ficavam vidrados na tela quando o filme voltava a ser exibido.
Mas a verdade é que era muito divertido ir ao cinema, não somente para ver o filme, também pelas brincadeiras no intervalo, mas gostoso mesmo era contar o filme para os amigos, obviamente incluindo minhas próprias interpretações. Além disso, os filmes serviam de alimento para a minha imaginação de super-herói, durante a semana inteira.
Estes cinemas já não existem mais, e com eles se foram as matinês. Os filmes de atuais também já não são singelos e ingenuos como os de outrora. Junto se foi a criatividade, e talvez seja esta a razão porque não surgem artistas como Chaplin, Valentino, Bette Davis e muitos outros que nos divertiram ou emocionaram muito com sua performance na telona.
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2 respostas para “ Matinês aos domingos ”
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29 de Abril de 2009 @ 17:41
Bons tempos esses! Na verdade lembro bem das sessões Coca-cola, onde se viam desenhos animados. Pena, hoje quase toda sala de cinema ter se tornado templo religioso. Nada contra a religião em si, mas a vida cultural dos bairros ficou mais pobre. Tudo gira em torno dos shoppings.
24 de Setembro de 2009 @ 17:18
Tai! Com grande emoçao que li este pequeno artigo. Fizemos desta história. No cine coliseu….. Hercules, Maciste, sansao entre outros filmes épicos e westens. Alem da grande curtiçao com os superherois, Fantasma, superpateta, ahahahh.
Poxa! Legal Luiz, neste mundo nunca estamos sozinhos…
Um grande abraço.