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Os desafios da educação

Asa de Vidro - Asa de Vidro
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou no dia 9 de junho o relatório Situação da Infância e da Adolescência Brasileira 2009 – O Direito de Aprender: Potencializar Avanços e Reduzir Desigualdades. Este relatório traz uma análise sobre o direito de aprender no Brasil, elaborada a partir das estatísticas mais recentes relacionadas ao tema.

O relatório conclui que o País obteve importantes avanços nos indicadores de acesso, aprendizagem, permanência e conclusão do Ensino Básico. Mas ao contrário do que parece como brasileiros não temos muitos motivos para comemorar, pois as desigualdades educacionais impedem que muitas crianças tenham garantido o acesso a educação no Brasil.

As desigualdades são ainda gritantes, em especial as regionais, étnico-raciais, socioeconômicas, e relacionadas a inclusão de crianças com deficiência. Embora o analfabetismo seja decrescente a cada ano, ainda é elevado e decresce de maneira muito modesta. No geral o analfabetismo no Brasil é de 10%, mas a região Nordeste destoa com 20%. Outro dado importante é que 23,3% do analfabetismo estão nas zonas rurais.

Outro numero alarmante, que pode ficar perdido na estatística é o número de matriculados. Segundo o relatório, 97,6% das crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos estão matriculados na escola, que gira em torno de 27 milhões de estudantes. Os 2,4% restantes, parecem muito pouco, mas na realidade representam 680 mil crianças fora da escola, pior ainda é constatar que desse total, 450 mil são negras. Da mesma forma, o percentual de crianças fora da escola na Região Norte é duas vezes maior do que o mesmo percentual na Região Sudeste. No Brasil, 1,77% das crianças brancas estão fora da escola, já os negros representam 3,28% e os índios 9,8%.

Além da questão do acesso, outro desafio importante são as taxas de reprovação e abandono que permanecem muito elevadas, especialmente no ensino médio. A taxa de reprovação de 2007, para o ensino médio, foi de 12,1% e a taxa de abandono foi de 13,2%. Este tipo de situação faz com que apenas 64% dos alunos completem o ensino fundamental com a idade esperada.

Apesar de serem inúmeros os problemas básicos é necessário repensar o sistema de ensino como um todo e transformá-lo em um sistema de aprendizagem. Não há duvidas que as técnicas tradicionais de ensino não acompanharam a evolução dos alunos. Continua a se ensinar como a 20 ou 30 anos atrás, embora a sociedade e, por conseguinte, os alunos tenham evoluído substancialmente.

Algumas experiências de educação contextualizada estão sendo conduzidas no país e se trata de uma metodologia de ensino parte da realidade do aluno e assume a escola como agente de transformação social. Uma experiência que já rende frutos foi a realizada, em 2008, em Lagoa de Itaenga no Pernambuco. Denominado projeto Educação no Campo – Educando para a Paz, os alunos são levados a refletir sobre um tema complexo, como a violência, trabalho infantil e outros que fazem parte do cotidiano das crianças.

A proposta é partir da realidade do aluno para chegar a compreensão do todo, e desta forma, levar a criança a se tornar um cidadão critico e consciente. Mas os temas não se restringem ao social, são também abordados temas como separação silábica, cálculo de porcentagens, leitura de gráficos, dentre outros. Adicionalmente são usadas diferentes linguagens como música, teatro, pintura, etc.

Mas fica difícil pensar em questões relacionadas com a melhora do sistema de ensino quando se constata que a Amazônia Legal ainda tem mais de 90 mil adolescentes analfabetos e cerca de 160 mil crianças entre 7 e 14 anos fora da escola. No entanto, com a canalização correta dos recursos financeiros e materiais ambas as vertentes podem ser endereçadas. Urge dedicar particular importância aos docentes, pagando salários dignos e exigindo nível de habilitação compatível com a função que ocupam.

Fica claro então, que é necessário priorizar os recursos para resolver problemas estruturais do sistema de ensino. Em paralelo há que se ter gente repensando no sistema de ensino como um todo, de maneira a quebrar paradigmas para oferecer alternativas mais eficazes, não somente para alfabetizar, mas para desenvolver o ser pensante que somos.

 

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4 respostas para “ Os desafios da educação ”

  1. Mayra Consigo Som & Imagem disse:

    Oi Luiz! Temos educadores respeitados internacionalmente por suas teorias libertadoras e ao mesmo tempo uma criança que vive no Acre percebe melhores perspectivas de vida na prostituição do que na sala de aula, nosso jovem país tem mentes brilhantes e um sistema turvo! Deixo aqui a dica de projetos como o Click Na Lata que educa através da fotografia, veja mais um pouquinho desse projeto no www.mundoemfoco.org. Outra coisa, ví sua sugestão na revista PhotoMagazine deste mês para fazerem uma pauta com o Sr.Ogava, vamos torcer, seria bacana!

  2. cá disse:

    oi papito
    to tao nervosa que resolvi dar uma parada e ler seus posts pra relaxar..fora q eu tava devendo uma visita.
    cm sempre, vc adora falar de assuntos diversos… acho q isso, eu puxei de você.

    sei lá, só queria passar por aqui e dar um oizinho!
    obrigada por ter sido compreensivo nesse período…

    t amo,cá!

  3. LA disse:

    Também te amo muito minha lindinha.
    Considero um privilégio ser o seu pai e conviver com uma pessoa tão linda e pura de alma. Me orgulho muito de voce e quero o seu bem de maneira incondicional, por isso, te recomendo que não se preocupe tanto com bobagens porque o verdadeiro sentido da vida é ser feliz.
    Te desejo o melhor em sua vida.
    Bj.

  4. Carol disse:

    Oi Luiz, tudo bem?

    Vc chegou a conhecer a experiência dos ginásios vocacionais no Brasil?

    O ensino vocacional, que foi implantado de forma experimental em escolas públicas estaduais antes da ditadura militar, era revolucionário!

    Até a matrícula era extremamente democrática, reservando-se à cada faixa social a porcentagem de vagas referente à realidade da comunidade local; por exemplo, se houvesse 20% de operários, 70% de agricultores e 10% de fazendeiros na cidade, era essa a porcentagem de vagas destinada aos filhos desses cidadãos, criando, assim, um micro universo para se poder estudar, a partir daí, o macro universo.

    No entanto, por ser revolucionário demais, formando cidadãos críticos, exigentes e tolerantes, o ensino vocacional foi abolido pela ditadura, e seus coordenadores e professores, perseguidos.

    Há 2 livros que conheço sobre o assunto. Se interessar, eu te passo depois.

    Abraço!

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