A Paixão do Brasileiro

Quando o brasileiro escolhe um candidato ou um partido, está na verdade, depositando a sua paixão. Votar parece que é como jogar na loteria, portanto não importa outra coisa que não seja ganhar a aposta, por isso é importante votar no candidato que está na frente nas pesquisas de opinião. Quando o candidato vence a eleição, a comemoração se dá de maneira exemplar, mesmo que o desempenho do eleito seja pífio. Que o diga Paulo Maluf, que apesar de tudo que fez no campo da ética, detém uma parcela considerável de eleitores fieis; da mesma forma que Janio Quadros, Ademar de Barros, Leonel Brizola, dentre outros também tinham seus eleitores cativos.
Quando John McCain perdeu a eleição para Barak Obama, estendeu a mão para cumprimentá-lo e em alto e bom tom, desejou sucesso chamando-o de meu presidente. Será que os políticos brasileiros algum dia chegarão a tal nível de maturidade? Receio que isto ainda está longe de acontecer.
Há que se pensar de maneira maior, como brasileiro que somos, e não como pertencente ao partido A ou B, afinal se o eleito, independentemente do partido, não tiver um bom desempenho, todos os brasileiros sofrerão as consequencias.
Além disso, parece não haver uma conformação que seu candidato perdeu a eleição, e mesmo sem contar com a sua aprovação o eleito governará pelo período designado. Na prática, o que se vê são criticas pouco construtivas e que em nada contribuem para o bem geral. Talvez seja pela falta de acesso a informação e de senso coletivo do povo brasileiro.
Mas, em se tratando de política, a paixão não é propriamente um atributo de brasileiros. Desde o império romano até homens maquiavélicos como Hitler tiveram inúmeros seguidores apaixonados, cegos, surdos e dispostos a entregar a própria vida por uma causa. Na busca de uma ordem social e natural que explique tal paixão, independentemente da ideologia, parece existir certo fenômeno nacionalista e de sentimentos difusos como a raiva que se convertem em bravura e coragem na luta pela igualdade e liberdade.
Cabe ao povo brasileiro entender que o nosso sistema está calcado na democracia representativa, ou seja os nossos representantes são escolhidos em eleições livres, mas isso não afiança o interesse comum, e muito menos a equidade das leis. Para cumprir tais requisitos o processo da democracia participativa parece ser o mais adequado, especialmente para enfrentar as crescentes demandas sociais.
Sem querer entrar em questões muito profundas, não dá para deixar de avaliar situações como esta sob a ótica de causa e efeito. Desta maneira, o único caminho para corrigir distorções como esta, é investir massiçamente em educação. Por outro lado, é necessário ter consciência que isto toma tempo, por isso, quanto mais se tardam as ações mais os resultados tardam a vir.
Além de eleições livres e limpas a democracia se consolida através de instituições sólidas, justiça, educação e saúde ao alcance de todos, poderes harmoniosos e independentes, imprensa livre e alternância no poder, dentre outros requisitos. Portanto, acredito que os bons de cabeça podem ajudar muito expurgando o exagero retórico e a paixão das discussões, e colocando foco naquilo que é relevante, mas sempre sem esquecer que na política tudo é negociável e creia-me livre de paixões.
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