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Foi-se junho e não vi nenhum balão

Balao - Balao
Já vai o tempo em que as festas juninas reuniam as pessoas para se divertirem em volta da fogueira, com direito a comilança, reza e muita alegria.

O ritual era smpre o mesmo, começava com a novena que ao nono dia deveria terminar na casa da pessoa que ofereceria a festa junina que, em geral, era para pagar promessa por alguma graça alcançada em nome do santo.

As pessoas que se reuniam para rezar durante os nove dias no ultimo dia iam, em procissão, até a casa do festeiro, que hasteava um mastro com o santo correspondente: Santo Antonio, São João ou São Pedro. Após a saraivada de fogos, se acendia a fogueira, e então estava inaugurada oficialmente a festa.

A partir daí rolava comida de todos os tipos, danças e muita brincadeira. Para comer tinha de tudo: pinhão, pipoca, paçoca, bolo de fubá, pé de moleque, amendoim torrado, canjica, maçã do amor, sempre regado a quentão que era preparado em caldeirões. Já com a fogueira apagada ainda se assavam batatas doces no braseiro.

Mas a festa não era o único momento prazeroso, legal mesmo era preparar tudo isto. Nossos pais se encarregavam da comida e da bebida, dos fogos e de preparar o local da festa. Já a garotada se encarregava das bandeirinhas multicoloridas, de encontrar a lenha para fazer a fogueira e de ajudar a fazer os balões, que embora proibidos, eram soltos as centenas. Até hoje não me fica muito claro porque da proibição, já que as pontas de cigarro lançadas pelas janelas dos carros em rodovias causam muito mais desastres. Mas como um erro não justifica o outro, os balões foram proibidos e com isso, morreu uma tradição.

A criatividade na elaboração dos balões era enorme. Tinham vários estilos: Moringa, Careca de Padre, Peão, Estrela, Almofada, Caixa e Mexerica, apenas para citar alguns. Havia uma espécie de competição informal, onde contava o tamanho e a beleza das cores. Ficávamos excitados nos momentos que antecedia o lançamento do balão aceso, que normalmente acontecia no auge da festa. Quando ele subia, parece que parte dos meus sonhos ia junto com ele para não sei onde.

Eu e meus amigos ficávamos acordados a noite inteira olhando para o céu e seguíamos o rumo dos balões e, muitas vezes, identificávamos alguns que vinham em nossa direção, que mesmo com a tocha apagando sabíamos onde ele cairia. Era incrível, mas tínhamos a capacidade de acompanhar o vulto dos balões já apagados. Soltar um balão era uma festa, mas pegar um balão que alguém soltara era uma alegria. Eu sempre me perguntava: quem soltou este balão? De quão longe ele vem? Era um mistério.

Festa junina era assim chamada porque durava o mês inteiro. Se não fosse na casa de alguém, tinha festa junina nas escolas e nas igrejas. O mês oferecia opções quase todos os dias.

Íamos às quermesses, para paquerar e se divertir. Lá era possível encontrar as barracas da pescaria, do coelho, da argola, onde concorríamos a prendas doadas pelas próprias pessoas. Os que estavam de paquera podiam contar com a ajuda do correio elegante para enviar uma mensagem para o seu pretendente, sem se levar em conta que algumas quermesses dispunham de serviço de som, onde eram oferecidas musicas para namorados e paqueras. Tudo era muito singelo, beirando a ingenuidade.

Embora nos tempos atuais ainda se veja algumas escolas que organizam Festas Juninas, o encanto não é o mesmo. Festa Junina era um acontecimento, hoje serve muito mais como caça níqueis, porque a tradição se foi. As crianças não têm a menor idéia porque se fantasiam de caipira, para estas crianças vestir a fantasia caipira ou do Batman é a mesma coisa.

É uma pena que tradições como estas estejam se perdendo, porque junto se vão a alegria, a simplicidade e, principalmente, a oportunidade de socialização, porque a festa junina propicia profunda relação entre as pessoas.

 

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Uma resposta para “ Foi-se junho e não vi nenhum balão ”

  1. cá disse:

    eh, papito, mtas tradições vem sendo perdidas e esquecidas…
    tanto é que nem a gte conta + com “o mês da festa junina”, ou o “mes do natal”…

    mas semana q ve mtem festa la no sitio, vamos ver de ir jtos de caipira? hahaaha
    bjos!

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