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Do it Slowly

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O lema americano “Do it Now” bem representa o estilo de vida adotado por grande parte da população americana, e que se vê refletido fortemente em muitos países, como é o caso do Brasil. Isto, em boa medida se reflete no aculturamento da busca incessante por eficiências, reduções de custos e aumento de produtividade. Uma das consequencias deste comportamento é a perda de valores outrora importantes para a vida das pessoas em sociedade.

Acumulam-se cada vez mais títulos e diplomas, mas cada vez menos discernimento, ao mesmo tempo que se gasta mais e se possui cada vez menos. Não se trata de posses materiais, mas de possuir o direito de escolha, de questionar a “quantidade do ter” em contraposição a “qualidade do ser”.

A ciência vem propiciando ao homem viver mais tempo, mas a qualidade de vida das pessoas é questionável, visto que para muitos a vida é triste e monótona. As pessoas se preocupam mais com o que os outros pensam a seu respeito do que oferecer sua própria percepção sobre elas mesmas.

O ser humano perdeu completamente a razão de viver e de respeito ao individuo. O homem tem a capacidade de ir a lua e voltar em segurança, mas tem dificuldade de atravessar a rua para saudar um vizinho novo. Poucos são os que dão importância para as coisas simples da vida, como uma refeição em família, ou visitar um parente.

Temos estradas largas, mas pontos de vista estreitos. Poucos são os que têm a capacidade de questionar o sistema e encontrar respostas consistentes do porque trabalhamos tanto e de maneira tão egoísta. Por isso, penso que há que se pensar em como retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres, na simplicidade de viver, e na espiritualidade.

Buscar um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais leve onde as pessoas trabalhem felizes, levaria as pessoas a produzir com mais qualidade e produtividade. Aproveitar os pequenos prazeres do cotidiano, viver com simplicidade desfrutando de coisas pequenas como uma refeição entre amigos ou com a família, torna as pessoas mais afáveis e felizes.

Talvez em base a esta motivação tenha surgido o movimento Slow Food na Itália, e que rapidamente se espalhou pelo mundo. Trata-se de uma organização eco- gastronômica, fundada em 1989, que se contrapõe ao fast food e o ritmo frenético de vida. Tem como símbolo um caracol, e se foca em estimular o interesse de seus membros pela alimentação de qualidade, na procedência e sabor dos alimentos e como a escolha alimentar pode afetar o mundo. Este movimento se expandiu rapidamente atingindo mais de 100.000 membros, o que mostra o interesse das pessoas na busca por melhorar a qualidade de vida.

Tal foi a importância que ganhou o movimento slow food, que vem servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe. A revista Newsweek publicou um artigo interessante em 2001 intitulado Eat, Drink, And Go Slow que aborda o movimento Slow Europe. Segundo a reportagem da revista, o modelo Frances é curto em horas trabalhadas já que trabalham 35 horas semanais , longo em férias e tem forte protecionismo trabalhista, mesmo assim os trabalhadores franceses conseguem ser mais produtivos que os ingleses e americanos.

Não quero enfocar minha mensagem sobre este artigo, já que muitas coisas mudaram de lá para cá, apenas mostrar que este assunto vem sendo discutido há muito tempo. Tão pouco quero deixar a impressão de que a busca pela qualidade do ser, tenha que ver com trabalhar menos. Creio piamente que tenha que ver com trabalhar o suficiente. Em determinados momentos vamos trabalhar mais e em outros trabalhar menos, mas o objetivo deve ser sempre o de desfrutar de tudo que se faz, quer seja com a família, ou no ambiente de trabalho.

O assunto recorrente entre as pessoas quase que invariavelmente gira em torno do balanceamento adequado entre a vida profissional e pessoal. Creio que o primeiro passo é entender que não são duas vidas, mas uma só, a sua. Refletir sobre o que realmente tem importância para você e ajustar as suas atitudes te permitirá viver de maneira mais tranquila, alegre e com muito mais sentido humano. Começar por pequenos atos te levará a evoluir e alcançar resultados surpreendentes. Mas lembre-se que esta mudança de comportamento sempre terá como base o seu sistema de valores.

 

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3 respostas para “ Do it Slowly ”

  1. cá disse:

    veio de encontro com o q conversamos hj pela manhã, não?

  2. Chantinon disse:

    Um dos melhores textos que já li sobre esse tema. Curto e prático, curiosamente rápido :)
    Infelizmente, somos empurrados por essa locomotiva louca do consumo. Ela move nossos empregos, as escolas caras a serem pagas, o ritmo frenético que é imposto, em prol da fortuna de poucos. Será que existe saída?

  3. Francisco Coimbra disse:

    Gosto da coerência mantida na abordagem de textos muito diferentes, sobre temas variados, lê-se com prazer, vale o vagar…

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