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Dia Internacional da Amazônia

Urucum - Urucum
Pensei muito no que escrever sobre o Dia Internacional da Amazônia, que se comemora hoje. Assunto não falta, afinal estamos falando de uma região com dimensões continentais e que tem a maior biodiversidade do planeta.

Natural seria falar sobre desmatamento, aquecimento global e muitos outros assuntos, mas resolvi escrever algo mais profundo que é a definição de uma ampla política para a região que permita o seu desenvolvimento econômico de maneira sustentável.

Ai está o problema a palavra sustentável que ganhou contornos insustentáveis. Esta palavra se transformou em um jargão, que varre o país de norte a sul e serve para justificar qualquer projeto de ONG. Para que se tenha uma idéia, o Brasil registra mais de 338 mil ONGs, sendo que boa parte delas são dedicadas a questões ligadas ao meio ambiente.

Não quero de maneira alguma questionar a importância das ONGs, mesmo porque muitas são sérias e trazem grande valor para o país, ademais a explosão do número de ONGs é um fenômeno mundial que ganhou muito impulso nos últimos 20 anos. Segundo Lester Salamon, da Universidade Johns Hopkins, (EUA), se fosse um país independente, o Terceiro Setor teria sido a oitava maior economia do planeta no ano passado, dado que movimentaram globalmente aproximadamente US$ 1,9 trilhão.

Mas voltando a questão da sustentabilidade, creio que o termo sustentável deveria ser cunhado unicamente para projetos que efetivamente sejam sustentáveis econômica e socialmente, por um longo período de tempo. No caso da Amazônia, existe um discurso preservacionista que não prevê nenhum investimento na produção e que pó isso deve ser evitado a qualquer custa. É um equivoco pensar que a Amazônia é um santuário ecológico e que quem vive ali não quer melhorar de vida.

Não me aprece razoável acreditar que demarcar enormes áreas indígenas e deixar o povo vivendo de maneira isolada do resto do país como seres exóticos, ou regularizar glebas de terras para posseiros seja a solução para um problema tão profundo e complexo. Pensar que somente o extrativismo se sustentará em longo prazo é utópico, portanto, a criação de sólidos projetos, como a Zona Franca de Manaus, deveria estar na agenda de um abrangente projeto realmente sustentável para a Amazônia.

É importante notar que o estado do Amazonas tem uma das áreas de floresta amazônica menos devastadas, em boa parte porque a sua vocação econômica foi desviada da exploração da floresta para o pólo industrial de Manaus, a partir da criação da Zona Franca de Manaus em 1967. Com isso, Manaus, detém o 4º maior PIB entre os municípios brasileiros. Segundo a SUFRAMA o pólo Industrial de Manaus possui mais de 450 indústrias de alta tecnologia gerando mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos.

Uma alternativa que me parece interessante seria as ONGs e OGs sentarem-se a mesa e evoluir sobre uma agenda ampla, que permita criar políticas para assentar as pessoas que vivem na região amazônica de maneira definitiva ao mesmo tempo proteger o manejo sustentável dos recursos naturais da região.

Sou da opinião que a questão é muito mais econômica do que ambiental. Se o objetivo é controlar a degradação há que se mostrar que a floresta vale muito mais em pé, porque o homem desmata motivado unicamente pela questão econômica. É bom lembrar que quando se iniciou o desenvolvimento da região foram criados programas de estimulo a migração de povos de outras regiões com a visão de desbravá-la, agora fica complicado voltar lá e simplesmente dizer que isto está errado.

Não se trata de uma questão simples, ao contrário é extremamente complexa dado que envolve múltiplas variáveis. Por outro lado não podemos ficar sentados assistindo a degradação do meio ambiente e suas conseqüências nefastas. É de fundamental importância a discussão destes temas de maneira abrangente, séria e comprometida.

Por fim, o Brasil deve estar preparado para defender posições concretas na 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontece em dezembro em Copenhagen (Dinamarca), dado que o país receberá muita pressão sobre o tema da devastação da floresta Amazônica. Afinal o problema do meio ambiente não tem fronteiras, portanto o que se faz na China pode se pagar no Brasil e vice-versa.

 

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Uma resposta para “ Dia Internacional da Amazônia ”

  1. cá disse:

    já viu a Agenda 21? é bem legal…

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