Deixem vir as flores

A Samaúma é tipicamente amazônica. Também conhecida como “escada do céu” devido a altura que alcança quando adulta, ou “árvore da vida” porque na época das chuvas, acumula água em seu grande tronco e raízes. Durante a estiagem, além de se abastecer, a Samaúma, espalha água para as outras plantas ao redor.
Influenciada pelas as fases da lua, há ocasiões em que a água existente no interior desloca-se para a copa ou raízes. O movimento da água no seu interior produz ruídos, que o caboclo da mata chama de “estrondos”, podendo se ouvir ao longe na floresta. As parteiras tradicionais da floresta, também utilizam a água da Samaúma como medicamento para gestantes.
Suas raízes são chamadas de sapobemba e são usadas na comunicação pela floresta, através de batidas em sua estrutura, por isso, muitos a chamam de campainha da floresta. Conta a lenda que nela vive o Curupira, personagem da mata, que ao ouvir o barulho do tronco da grande árvore recebe o aviso da chegada de algum perigo. O Curupira então assusta os visitantes com a finalidade de defender a floresta de seus inimigos e invasores.
Os povos tradicionais da Amazônia sempre adoraram a Samaúma pelas suas qualidades curativas. Os pajés consideram a grande rainha como uma árvore divina. Para muitos, simboliza a imortalidade. Na prática, além de proteger pequenos animais, ela ajuda na aproximação e harmonia entre povos e animais que vivem na floresta. Tem um destaque de nobreza e uma grandeza própria que a tornam um dos majestosos seres da natureza.
Mas esta belíssima árvore, um verdadeiro tesouro estético e cultural da floresta amazônica, está sendo dizimada de forma brutal pelas madeireiras que atuam na região. Agressão esta totalmente injustificada, inclusive em termos econômicos, já que a madeira da Samaúma é usada para fazer compensado e muitas outras espécies possam ser usadas para este fim.
Embora reze a lenda, que através de seu poder, a árvore consiga afastar e assustar quem entra na mata mal intencionado, os madeireiros não se intimidam, e continuam a derrubar estes monstros sagrados. Com a derrubada de uma única arvore, pode se abrir uma clareira de mais de 30 metros quadrados, provocando grande impacto ao meio ambiente.
O dia da árvore não deve ser visto como uma data comemorativa apenas, mas uma oportunidade de reflexão sobre a forma como estamos nos relacionando com o meio ambiente. Certamente você encontrará maneiras de usar os recursos naturais de maneira mais racional e sustentável.
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2 respostas para “ Deixem vir as flores ”
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21 de Setembro de 2009 @ 21:57
Olá Luis, td bem? Gostei muito da resenha sobre devastação. Um dia quem sabe, qdo não houver mais árvores, aí sim teremos um dia para lembrar o dia da árvore!
A importância da conscientização é uma questão de sobrevivência, e para tudo a natureza tem uma explicação.
Abços RICHARD
22 de Setembro de 2009 @ 01:24
Muito bacana,aqui em Belém temos umas no Museu Emílio Goeldi, e tem uma especial que fica bem no centro de Belém, no Conjunto Arquitetônico de Nazaré o CAN, e já é famosa… no Círio os periquitos que nela dormem face o movimento dos fogos, fazem belas revoadas..um espetáculo incrível….
Puxa muito bacana mesmo a abordagem da questão das lendas, isso precisa ser divulgado , em nome das tradições da Floresta!
abraços e carinho!
Rose