O álcool polui mais que a gasolina?

Agora vamos entender por que.
Recentemente o Ministério do Meio Ambiente lançou uma lista com os modelos de automóveis classificada de acordo com a emissão de poluentes. Iniciativa notável a meu ver, pois é direito do cidadão conhecer os detalhes dos produtos comercializados no mercado. Um dos efeitos poderá ser a preferência por modelos que emitam menos poluentes, cuja conseqüência direta é os benefícios para a saúde e para o meio ambiente.
No entanto, a tal lista tem causado confusão porque alguns modelos a álcool foram classificados como mais poluidores do que alguns modelos a gasolina. O problema é complexo e por isso precisa ser analisado por partes.
Primeiramente a idéia que o álcool não polui é mito. Como os modelos de carros brasileiros, quase que na sua totalidade, se baseiam na combustão de algum tipo de combustível o resultado será sempre a emissão de dióxido de carbono (CO2). A diferença é que o álcool é produzido a partir da cana de açúcar, que por ser uma planta precisa absorver CO2 para crescer, desta forma o mesmo CO2 que sai do escapamento dos automóveis, em síntese, alimenta a fotossíntese pelo vegetal que o converterá em biomassa. No entanto, esta absorção nunca será de 100%, além disso, a cultura da cana necessita de insumos que consomem energia e emitem gás carbônico.
Voltando ao comparativo entre os modelos de automóveis brasileiros, primeiramente há que se considerar que tal comparativo leva em conta apenas três poluentes: monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Ficam fora do comparativo o dióxido de carbono, enxofre, material particulado e aldeídos; este último altamente cancerígeno e é emitido pelos motores a álcool.
O segundo ponto é que não depende unicamente do combustível para que um automóvel polua mais ou menos. Cada modelo de automóvel obedece a uma engenharia de construção, por isso a eficiência do motor, catalisadores e outras características técnicas definem o quanto de poluição cada modelo emite. Daí a grande importância na divulgação, de maneira transparente, dos índices de poluição de cada modelo, dado que na hora da compra o consumidor poderá optar por modelos que poluem menos e não unicamente pela beleza estética ou a potencia do motor do auto.
Como conclusão, sob a ótica de poluentes, fica clara a vantagem do etanol produzido a partir da cana de açúcar sobre os combustíveis fósseis, dado que o combustível fóssil adiciona poluentes desde a sua cadeia produtiva até a sua queima, sendo que o álcool como dito anteriormente retira boa parcela da poluição através do processo de fotossíntese da cana de açúcar, além de ser renovável.
Quanto a medida do Ministério do Meio Ambiente é importante, mas insuficiente, o Brasil se ressente de uma definição de metas de redução mais agressiva de poluentes por parte da indústria automotiva. Porque os modelos fabricados para exportação já incluem tecnologia muito mais avançada? Creio que a resposta é simples, os países que compram estes autos já estabeleceram regras mais restritivas quanto a poluição, enquanto o Brasil ainda pensa sobre o assunto.
Para finalizar, está na hora da Petrobras assumir maior responsabilidade quanto a qualidade do combustível que produz. Não faz o menor sentido produzir diesel, que emporcalha o ar, emitindo no mínimo 500 ppm (partículas por milhão) de enxofre em áreas urbanas , podendo a chegar em 2.000 ppm no interior do país, enquanto na Europa a legislação obriga a produção de diesel que emita no máximo 10 ppm. Sim você leu certo, dez partículas por milhão. Além da Petrobrás, a indústria automobilística necessita produzir automóveis, no país, com o mesmo nível de tecnologia dos modelos exportados.
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3 respostas para “ O álcool polui mais que a gasolina? ”
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8 de Outubro de 2009 @ 11:33
Olá Luiz,
é importante que os orgãos públicos estabeleçam limites para emissão de poluentes, de fato. Mas os cidadãos podem contribuir, deixando o carro em casa quando não precisarem dele.
O carro, no Brasil é uma questão de status, infelizmente. Essa mentalidade precisa mudar.
Conheci um holandes que tem um carro em sociedade com seu vizinho! Os dois só se utilizam do veículo em caso de extrema necessidade… o resto, se faz de bicicleta, muito melhor para a saúde.
Por outro lado, conheci alguns paulistanos que, para ir até a padaria, na esquina, retiram seus carros da garagem!
Abç,
Carol.
8 de Outubro de 2009 @ 14:16
Carol,
Primeiramente obrigado pelo comentário.
Voce tem razão quando diz que muita gente usa o carro de maneira errada, na verdade ir a padaria a pé, além de ser bom para a humanidade é particularmente bom para o indivíduo que se exercita. Quanto a deixar o carro, muitos não o fazem por absoluta falta de alternativas. Note que se todos que andam de carro decidirem usar transporte público o sistema entra em colapso, aliás já está a beira do colapso.
Mas se voce procurar alternativas existem várias, como um serviço recente de “car sharing” lançado por uma empresa de locação que permite compartilhar um mesmo veículo com mais de 20 pessoas. Além de ser mais economico é importante para o meio ambiente. O problema que esta e muitas outras alternativas tem abrangência limitada. De qualquer maneira é bom as pessoas refletirem no que individualmente pode fazer.
Luiz
8 de Outubro de 2009 @ 15:36
Oi Luiz,
vc tem toda razão ao dizer que o sistema de transporte público não comporta tanta gente… hoje mesmo uma pessoa estava sendo entrevistada a respeito disso na rádio Eldorado e ela disse que se aumentasse o número de ônibus, por exemplo, o trânsito continuaria um inferno e a poluição continuaria na mesma (ou aumentaria!). Precisar do carro é uma situação compreensível, como digo em meu comentário… mas há exageros… as pessoas precisam ter discernimento para avaliar quando o carro se faz realmente necessário e quando não, pelo menos enquanto o metrô não avança o tanto que deveria!
Até mais,
Carol.