O riso do Palhaço

A expectativa da estréia era enorme e parecia nunca chegar. Enfim é chegado o grande dia. Musica alegre nos alto-falantes, pipoca, balões, amendoim, maçã do amor, tudo que faz parte da magia do circo.
No picadeiro trapezistas, mágicos, domadores tornavam o espetáculo encantador, mas nada era igual ao palhaço, que tinha o poder de arrancar risos sem dizer palavra. A cara pintada, as traquinagens no picadeiro, as piadas ingênuas tornavam o palhaço a atração principal do circo.
O palhaço tem o dom de despertar a alegria que dorme dentro do mais sisudo dos homens, da mais triste criança, velhos e jovens. Quando criança acreditava que os palhaços não choravam, não ficavam velhos e dormiam de cara pintada.
O palhaço que faz da alegria dos outros a sua razão de viver chora abafado sua tristeza no camarim da vida. O palhaço chora a tristeza, com um sorriso radiante, especialmente quando vê um rostinho anônimo de uma criança feliz. Mais do que profissão, palhaço é convicção. Sim, convicção na alegria, no cultivo do riso que afasta a raiva e aproxima as pessoas, respeitando suas diferenças.
O palhaço é antagonismo que vai do óbvio ao inesperado, do certo ao errado, do esperto ao bobalhão. É o grande provedor do riso, da descontração e alegria, do absurdo lúdico, do real transformado em imaginário. O palhaço vive o mundo da fantasia onde a ele tudo é permitido. Pode falar da feiúra dos outros, fazer trapalhadas, dar cambalhotas, levar tapa na cara sem reagir, botar fogo no chapéu, enfim tudo aquilo que é proibido na vida “normal” das pessoas.
Os palhaços não precisam de palco, apenas dêem público que eles farão o espetáculo, sem nenhum roteiro porque eles o definirão a sua maneira cuja formula básica será sempre irreverência e alegria. Entram em nossas vidas sem pedir licença e saem quando o espetáculo termina, mas deixam a sua essência em forma de riso e descontração.
O mundo experimenta uma crise geral de alegria, parece que as pessoas não querem mais rir. A humanidade perdeu a alegria de viver porque existe uma inversão de valores entre o ser e o ter. Que bom seria se no mundo houvesse mais palhaçadas e menos insensatez humana. Felizmente a fantasia não morreu, portanto, respeitável público, aplausos para o palhaço porque o espetáculo continua…
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3 respostas para “ O riso do Palhaço ”
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10 de Novembro de 2009 @ 18:05
Olá gostei de suas considerações.
A arte de viver é viver o “palhaço” que está em nossos corações
17 de Novembro de 2009 @ 12:10
A televisão estragou o sonho, a fantasia, a ilusão é outra.
Era bom quando éramos chamados de “respeitável publico”. Hoje isso não é levado em conta. Ainda bem que tem o “respeitável” controle remoto.
19 de Novembro de 2009 @ 16:46
Saudades de uma lona, de espetáculos e de uma vida.