Quando Papai Noel cai da chaminé

Mas o grande símbolo do Natal era o Papai Noel, que se encarregava de trazer os brinquedos das crianças em qualquer parte do mundo. Segundo meus pais diziam ele entrava nas casas pela chaminé e como a minha casa não tinha, a minha pergunta óbvia foi: como ele vai entrar em casa? Com a resposta na ponta da língua, meus pais disseram que ele entraria pelo telhado, já que ele tinha muita habilidade de andar sobre os telhados das casas. Bastou, não precisava de provas, apenas a palavra deles.
Era compreensivo, mesmo quando pedia um brinquedo grandioso e me era dado um presente mais modesto. Pensava que se não havia recebido o presente que pedi era porque não merecia, portanto tinha que fazer melhor as minhas tarefas e tratar melhor as pessoas, de forma a ser agraciado com o presente desejado no próximo ano.
Uma das grandes decepções, talvez a maior, vivida na minha infância foi descobrir que Papai Noel não existia. Acho que me senti meio idiota, já que foram muitas as cartinhas que escrevi com pedidos para o velhinho de roupas vermelhas e barba branca que morava no pólo norte.
Assim como outras fantasias, a do Papai Noel como o bom velhinho que anda de trenó, mora no pólo norte e fabrica brinquedos, obedece à mesma linha, por isso, é inevitável que em algum momento a criança comece a desconfiar e questionar de sua real existência. Quando isto se passa, creio que a melhor maneira de agir é revelar a verdade, por outro lado é importante que os pais não se antecipem e destruam a ilusão da criança sem que esta se manifeste.
Mas o que gostaria de abordar não é se devemos ou não e quando revelar a verdade sobre o Papai Noel para os nossos filhos, mas a mágica desta fantasia, que embora criada por adultos contagia as crianças de maneira muito profunda. O mundo real é muito complexo para os pequeninos, por isso as virtudes de bondade, generosidade e comportamento são muito bem exploradas pela fantasia de Papai Noel.
Quando criança tentava ficar acordado para ver Papai Noel chegar com seu trenó, e colocava uma folha de alface e água para rena beber, mas nunca conseguia. De manhã meu presente estava lá, e encontrava apenas restos da folha de alface e um pouco da água deixada pela a rena. Sentia-me orgulhoso já que de certa maneira havia ajudado Papai Noel com seu duro trabalho.
Confesso que algumas vezes, mesmo pequeno, ficava pensando em como era possível a Papai Noel entregar todos os pacotes em tão pouco tempo. É certo que para mim o tamanho do mundo não era maior do que o meu bairro, mas mesmo assim é uma tarefa quase impossível. Mas como Papai Noel era capaz de fazer coisas mágicas, não seria difícil entregar o presente de todas as crianças do mundo.
Ver aquele pacote colorido em baixo da árvore era simplesmente mágico, por isso, me atirava sobre o pacote para abri-lo o mais rápido que podia. Depois passava o resto dia, muitas vezes da semana, com o presente regalado por Papai Noel em minhas mãos.
O Natal me traz lembranças incríveis como: o presépio, as novenas regadas a chá de mate e panetone, os assados de minha mãe, as castanhas, as brincadeiras de amigo oculto, o bingo que rolava após o almoço com meus tios e primos. Mas o que realmente fazia a diferença era a alegria das pessoas.
Acreditar em fantasias, como a do Papai Noel, é importante para a formação da criança, pois estimula o desenvolvimento da imaginação, criatividade e capacidade para elaborar histórias. As fantasias estimulam o sonho, e o que pode se esperar de uma criança sem sonhos, não é mesmo? Além disso, estimula a criança a desenvolver seu raciocínio e a capacidade de enfrentar dificuldades. A lenda do Papai Noel implicitamente transmite valores como solidariedade, partilha, alegria, confraternização, reconhecimento, e aceitação. São idéias que, associadas ao curso da vida, podem marcar o desenvolvimento da personalidade da criança.
É certo que o mundo evoluiu e segue evoluindo muito rapidamente, que os conceitos ligados a educação se modernizaram e se adequaram a esta nova realidade, entretanto as fantasias continuam presentes na vida das crianças. Apesar de toda a agitação da vida moderna, as crianças se encantam com a figura de Papai Noel, por isso, não podemos deixar morrer esta tradição. Afinal Papai Noel está presente no coração e imaginação de todos.
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Uma resposta para “ Quando Papai Noel cai da chaminé ”
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17 de Dezembro de 2009 @ 12:45
Luiz,
Adorei o texto!!! Concordo com tudo que tem nele. Tudo muito bem expressado e colocado.
Te digo que várias das melhores recordações da minha infância foram do Natal. Da festa, do Papai Noel, da árvore, da expectativa, da festa com a família. Mas, como você coloca no seu texto, eu também tinha as minhas dúvidas logísticas de como o Papai Noel podia entrar no meu apartamento (deixava sempre a janela da sala aberta), como podia entregar os presentes para todos, como sabia o que entregar para quem, etc.. Também deixava algo para ele comer (um biscoito, um copo de leite, etc.).
Como irmã mais velha, fui a que estragou a magia do Papai Noel para a minha irmã. Quando descobri que não existia, contei para ela. Hoje vejo que não deveria….
Até hoje tenho um prazer especial em montar a árvore de Natal, colocar as luzinhas e faço questão de tê-las diariamente acesas à noite. Vejo no meu sobrinho mais novo (que ainda acredita no Papai Noel) o sonho, a mágica, a expectativa, a alegria quando recebe os presentes.
Hoje o Natal para mim já não é tão bom quanto antes. Desde que meu avô faleceu e foi enterrado no dia 24 de Dezembro, tudo perdeu um pouco do seu encanto. Mas ainda vejo nos meus sobrinhos o que vivia na minha infância. E ainda percebo nas pessoas (apesar de todo o apelo comercial do Natal) um pouco mais de generosidade, benevolência, solidariedade e espírito fraterno nessa época do ano.
Feliz Natal!