O fiasco de Copenhague

Embora todos concordem com a urgência de ações para conter o aquecimento global, cada pais tratou de proteger sua agenda interna, transformando aquilo que poderia ser um acordo histórico em uma carta de intenções, que não define o que nem como fazer. O documento está permeado de termos genéricos, como reduções significativas, sem gerar nenhum compromisso vinculante de reduções, deixando as decisões para a próxima conferencia que vai acontecer no México no final de 2010.
Como esperado os Estados Unidos e a China foram os grandes opositores a um acordo por imposição das agendas domesticas de ambos os países que insistem no uso de uma matriz energética extremamente suja. O Brasil, a Índia e a África do Sul ajudaram na articulação do documento final, que acabou sendo aprovado sem consenso pelos países participantes da conferencia.
Basicamente o acordo engloba os seguintes pontos:
- Temperatura – reconhece a necessidade de combater o aquecimento acima de 2º.C na temperatura média da terra.
- Emissões – países ricos vão apresentar propostas de redução na emissão de carbono até 2020. Os países emergentes e pobres também anunciarão metas de redução, sem obrigação de implementá-las.
- Financiamento – países desenvolvidos se comprometem a repassar aos países pobres US$30 bilhões de “financiamento rápido” entre 2010 e 2012. Nos anos seguintes, até 2020 o repasse será aumentado para US$100 bilhões por ano.
Além da agenda política dos países que emperrou muito as negociações, o sistema ultrapassado da ONU precisa urgentemente ser revisto. O processo multilateral usado pela ONU exige decisões por consenso, com isso, fica quase impossível qualquer tipo de acordo que envolva temas conflitantes. Urge abandonar este modelo falido e criar um foro com os maiores poluidores, que afinal são os que podem e devem tomar ações concretas.
Como lição aprendida para o Brasil, fica a necessidade de se preparar melhor para negociações como as que envolveram a COP-15. Chegamos a Copenhague com uma posição megalomaníaca e saímos com um gosto amargo de derrota, mesmo se comprometendo a doar mais dinheiro para o combate ao aquecimento sem a prévia aprovação do congresso. Alem disso, ficou patente a diferença de opiniões entre os membros da delegação brasileira.
O legado negativo de Copenhague é uma provável desmobilização que fará aumentar o ceticismo sobre os riscos do aquecimento global. Segundo uma pesquisa recente do Instituto Gallup nos Estados Unidos, um numero crescente de pessoas acreditam que as noticias que lêem sobre o assunto são exageradas, tendo passado dos 30% de 2006 para 41% em 2009.
A agenda de curto prazo dos países em associação com os problemas estruturais da ONU certamente dificultarão o estabelecimento de um acordo amplo o suficiente para endereçar os pontos mais críticos do aquecimento global. No entanto, o mundo não pode se render a interesses particulares de uma ou outra nação, dado que este é um problema global e que não tem barreiras ou fronteiras.
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Uma resposta para “ O fiasco de Copenhague ”
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30 de Dezembro de 2009 @ 09:14
Oi Luiz, tudo bem?
Fiquei especialmente decepcionada com Barack Obama, que era uma promessa de mudanças… ficou só na promessa…!
O jeito é fazer a nossa parte, um trabalho de formiguinha que reduz pouco as pegadas mas que pode se multiplicar se dermos o exemplo…
Que o ano de 2010 seja melhor em todos os aspectos, inclusive o ambiental!
Abraço!