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Sem etiqueta, sem preço

Stradivarius - Stradivarius
Não é de hoje que se sabe que as pessoas estão acostumadas a valorizar as coisas dentro de contextos muito bem definidos e conhecidos. Um quadro é mais valorizado quando possui moldura, mesmo que a moldura seja produzida em série. Da mesma forma duas peças de roupa produzidas com o mesmo material e estilo, podem ter valores muito diferentes dependendo da etiqueta.

A palavra moldura traduzida para o espanhol é marco, que realmente define muito bem o papel da moldura em uma obra de arte, que é o de marcar ou delimitar o trabalho e não fazer parte da obra. A obra tem aspectos intangíveis que jamais poderiam ser carregados em uma moldura.

Em 2007, o jornal Washington Post lançou um debate sobre valor, contexto e arte. Com este propósito pediu que um músico famoso tocasse algumas peças de música clássica no horário de rush, na estação do metro L’Enfant Plaza em Washington. Mais de 1.000 pessoas passaram por ali durante os 43 minutos que este musico tocou, e pouca ou nenhuma importância deram ao músico.

Mas o que ninguém sabia era que o musico se tratava de Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num raríssimo, Stradivarius de 1713, estimado em 3,5 milhões de dólares. No entanto, Bell estava vestido em roupas comuns, calça jeans, camiseta e boné, e não havia nenhuma etiqueta para identificar quem era aquele artista.

Apenas três dias antes, Joshua Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares foram vendidos a cem dólares. Mas naquela manhã Joshua Bell era apenas um desocupado competindo pela atenção das pessoas que tinham como preocupação principal chegar ao seu destino. Nada mais interessava.

Esta experiência foi gravada em vídeo e está disponível no Youtube . No vídeo é possível ver pessoas passando com pressa, copo de café na mão, falando no celular, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. Muitos se soubessem que se tratava de Joshua Bell, provavelmente teriam outra reação. Isto deixa claro que o que vale mesmo é a etiqueta.

A experiência parece indicar uma perda da capacidade de se apreciar a beleza. Isto não significa que as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas que a beleza deixou de ser relevante, por isso, da necessidade de estar inserida em um contexto. Em um ambiente comum, em uma hora imprópria, as pessoas parecem não serem capazes de perceber a beleza. Nestas condições, parar para apreciar algo belo está fora de contexto.

 

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10 respostas para “ Sem etiqueta, sem preço ”

  1. gabriel disse:

    iai luiz aqui e o gabriel , beleza , e´ assim mesmo o que conta é sempre o exterior não tem jeito nosso mundo e feito de mentiras como aparencia ,status,diploma, e por ai vai. Achei um ditado ´proverbio´ que diz bem o que eu penso a respeito

    PECUNIA UNA REGIMEN EST RERUM OMNIUM. [Publílio Siro] O dinheiro é o único governante de todas as coisas.

    UM ABÇ E ATE MAIS.

  2. Daniel Santos disse:

    muito bom o texto….sucinta análise dos nossos tempos…

  3. Alvaro Posselt disse:

    Olá, Luiz. Gostei muito de seu blog. Parabéns!
    Um grande abraço.

  4. Solange Bretas disse:

    Perfeito seu texto. Hoje em dia tudo gira em torno de marcas e quem não está usando algo famoso, comprovado com pela etiqueta, está fora de moda ou fora do contexto.
    Parabéns!
    Um abraço

  5. cá disse:

    infelizmente algumas pessoas precisam pagar US$ 100 para poder identificar algo de bom…
    bom o texo, bom o vídeo!
    bjus!

  6. FATIMA MOTA disse:

    Olha, penso como você e, fico pensando como nos perdemos no meio de tanto consumismo e damos uma valoração tão grande ao que é menos importante. Essa correria tem nos levado a esses desvarios (de ver sem olhar) ainda bem que a arte existe para o nosso deleite e, mesmo sendo dado mais importância aos acessórios do que a própria arte, um brinde à beleza que ela sucinta. Excelente texto, parabéns!

  7. Camila disse:

    Luiz, imagine agora uma profissional de marketing que quanto mais se aprofunda em sua ciência, mais consciente fica das ferramentas utilizadas paradesta realidade e, pior, A parte difícil é quando está indo de encontro aos seus próprios princípios. É isso aí, tenho que achar o outro caminho e pessoas dispostas a trilhá-lo!

  8. Chantinon disse:

    Tenho falado muito sobre “valor”.
    A cada dia fica mais difícil conversar pessoas até inteligentes que o mundo enlouqueceu.
    Você liga a TV ou abre um portal na internet e está lá, TODOS tem o melhor produto, o melhor preço e ainda cobrem qualquer oferta da concorrencia.

    Empresas como Compaq foram engolidas por tentar manter um padrão de qualidade (claro que existiram outros erros). Hoje parece que tudo se resume a classe C e D, e esses segundo o mercado, aceitam tudo que se coloque uma etiqueta BARATO.
    Mas se aparecer em closes na TV, e algum famoso aparecer usando, pode cobrar o que quiser que pagam.

  9. Roseane disse:

    caro,
    muito interessante abordagem, os nossos valores perderam muito da essência,e o belo parece já não ser tão belo assim. Ponha-nos para refletrir! verei certamente o video!
    abraços
    Rose

  10. Michele Suota disse:

    Luiz, ótimo texto. É uma pena que estejamos vivendo este caos. As pessoas estão perdendo os seus valores, se é que sabem o que isto significa. E, a vaidade, a casca, está tomando conta do mundo. Mas tenho esperança de que haverá uma transformação na consciência mundial e que as pessoas voltarão a valorizar a beleza e o amor, a essência da vida.

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