2016
12.15

Mais um ano se aproxima de seu epilogo e, como sempre, fazemos reflexões profundas dos nossos planos contra as nossas realizações. Em geral o balanço é que os 365 dias não foram suficientes para fazer tudo que planejamos, mas olhando para frente você verá que tem muitos motivos para celebrar a chegada de um novo ano.

Um exercício interessante, especialmente neste momento, é olhar para dentro de nós, e avaliar o quão felizes nos sentimos. Então olhe para o lado, certamente você verá muitas coisas que te farão reavaliar a situação, e talvez você encontre espaço para ajudar outras pessoas. Afinal o Natal propicia um período de paz nas batalhas internas que travamos todos os dias conosco mesmos, e a oportunidade de fazer ajustes em nossas prioridades visando criar um futuro mais ditoso e pleno. (mais…)

2015
10.29

Vivíamos o final da ditadura militar, quando um amigo da minha rua veio com a ideia de organizar um baile. A molecada, meio sem saber bem do que se tratava, ficou ouriçada e deu inicio a preparação. Primeiro teríamos que definir o lugar, que depois de muita discussão chegamos a conclusão que a garagem de casa seria o lugar ideal, então definimos a data, quem seria encarregado do som, das bebidas, e dos convites.

Logo percebemos que a garagem não caberia todos os convidados, então fomos buscar alternativas até decidir que o quintal da casa do Cabeção era o lugar ideal. Alguém lembrou que o lugar era descoberto, e se chover? Vamos colocar uma lona, sugeriu o Manoel, e lá fomos nós atrás da lona, que o pai do Danilo que era caminhoneiro emprestou. Coloca-la no lugar foi uma aventura, mas com muito trabalho e perseverança conseguimos.

Tudo preparado, o sábado nos brindou com uma lua cheia que quase eliminava a necessidade de luz extra, que o pai do Cabeção fez questão que fosse instalada. Quero esse terreiro bem iluminado e nada de agarra-agarra, disse ele em tom de autoridade. (mais…)

2015
07.16

A data exata foi 16 de julho de 1985, um dia frio, cinzento e carrancudo, que às 13 horas e 10 minutos ganhou cores e vida, literalmente, e transformou-se no dia mais radiante da minha vida. Você nasceu e a todo pulmão anunciou que havia chegado.

Você cresceu e virou mulher adulta, mas para mim, você continua sendo aquela menininha linda que peguei nos meus braços vacilantes, com um misto de alegria, ansiedade e receio.

Nossas vidas mudaram completamente, você veio de um mundo de paz, conforto e proteção, para um mundo feroz e implacável. Nós os seus pais, tivemos que aprender a ser pai e mãe, e você teve a paciência acelerada de nos ensinar diariamente.

Passaram-se trinta anos, e ainda continuamos a aprender contigo, e tenho a impressão que continuaremos aprendendo por toda a nossa existência.

O meu braço também já não tem a mesma força, mas saiba que estão prontos para ajudar sempre que você necessitar. (mais…)

2015
04.02

O carteiro da minha rua chamava-se Valter Alito, e por toda a minha infância eu o vi diariamente subindo ou descendo a rua de terra em que morávamos. As rajadas de vento fazia levantar nuvens negras de um pó fino e pegajoso, que travava a garganta, e quando chovia a rua desaparecia em um imenso lamaçal.

Ele fazia parte da rua, pois com chuva ou sol, lá vinha ele assobiando, vestindo sua farda surrada, com passos decididos e uma pesada bolsa de lona nos ombros. Tinha a habilidade de transformar aquele trabalho aparentemente ruim em algo bom e divertido. Penso que o Valter nasceu para ser carteiro.

Eu olhava com admiração para aquele homem franzino, rosto minúsculo, nariz fino, olhos da cor da distancia e olhar amigo, afinal ele usava quepe; que eu era louco para colocar na minha cabeça. Não foram poucas as vezes que, para o delírio da molecada, ele se meteu em nossas partidas de futebol na rua. Dois ou três dribles, um chute certeiro, e lá ia o Valter, agora com os sapatos sujos, para cumprir o resto de sua jornada. (mais…)

2014
08.16

Em tempos de tantas mortes ilustres, decidi que quando morrer quero ser enterrado, com direito a todas as rezas cabíveis a um defunto boa praça, se possível repetidas vezes. A razão é que quero ter a certeza que estou mortinho da silva, sem a menor chance de vida.

Já pensou não estar morto e me colocarem em um forno a mais de 1.000C? Nem pensar, não quero correr este risco, ademais posso me transformar em alma penada, mas alma queimada não dá.

Ser enterrado vivo também não deve ser nada agradável, por isso reconheço que é puro conservadorismo de minha parte, mas certamente você já ouviu alguma historia de um defunto que ressuscitou no meio de um velório, mas não deve ter escutado que uma pessoa ressurgiu das cinzas. Confere? (mais…)

2014
07.31

GalinhoA minha família era formada essencialmente por meteorologistas!

O meu avo tinha uma teoria que a chuva dos primeiros doze dias do ano, indicariam os meses chuvosos. Então se chovesse no primeiro dia do ano, janeiro seria um mês de chuva, e assim sucessivamente até o dia 12. Confesso que não me lembro dos acertos do meu avô, mas como ele era uma entidade, todos nós acreditávamos sem questionar.

A tia Laurinda tinha um termômetro no braço. De forma que sempre que sentia dores, dizia que era prenuncio de chuva, e se gabava de nunca ter errado em suas previsões. O problema é que ela se queixava de dores no braço todos os dias, por isso, realmente ela nunca errava quando chovia.

Todas as casas dos nossos familiares tinham um galinho do tempo. O nosso ficava em cima da geladeira e meu pai, não saia de casa sem consultar o galinho para saber a previsão do tempo. Então, ao sair para o trabalho meu pai conferia a cor do galinho, e se estivesse rosa, levava o guarda-chuva. (mais…)

2014
07.06

KyotoUm ser extraterrestre acaba de morrer no Planeta g, e vai para o portal do juízo final. O porteiro das almas, um ser cabeçudo com os olhos caídos e orelhas grandes, o recebe e pacientemente o interroga. A julgar pela expressão de espanto do arbitro e as suas orelhas, agora murchas, a sentença não será favorável.

Duas horas após o inicio do interrogatório, e várias consultas ao Divino Mestre – que é a autoridade máxima do planeta – sai o veredito: condenado ao inferno!

    – Como castigo por tudo de mal que fizeste em vida serás enviado a Terra para pagar sua penitencia – pronuncia então o juiz em tom de autoridade.

No Planeta g sempre se soube que os seres que vivem no inferno, são egoístas, excêntricos e mal educados. Esta fama cresceu após os seres de lá, terem chegado à lua, pois além de invadir o que não lhes pertence, deixam um rastro de sujeira por onde passam. (mais…)

2014
06.12

CampinhoO campinho de terra preta da minha rua, por alguns anos, foi palco de animadas partidas de futebol, e talvez esta tenha sido a melhor época da minha vida.

Jogávamos futebol todos os dias no campinho de traves tortas e desproporcionais, feitas pelo Sr. Bento cujos dotes certamente passavam longe da carpintaria.

Durante a semana éramos uns poucos, mas aos sábados e domingos formavam-se três ou quatro equipes que se revezavam por todo o dia no campinho. Os primeiros a chegar formavam duas equipes que disputavam com muita gritaria a primeira partida do dia, pois o time que perdia cedia o lugar para uma nova equipe, que ia se formando com os retardatários, e assim passávamos o dia jogando futebol.

Não havia uniforme, nem juiz, e tínhamos apenas uma regra: todos tinham que jogar descalços, o que geralmente (mais…)

2014
05.24

Capa Pal Contadas Seleção de dezessete contos que, em sua maioria, retratam o cotidiano e as questões comportamentais de personagens impregnadas de sensibilidade, quer seja em uma grande metrópole, quer seja em um pequeno vilarejo. Os contos não seguem propriamente um estilo único, mas exploram diferentes estilos, cenários e situações. Entre as 10 histórias, destaca-se a de um mendigo poeta que vive na rua e transita com sua cadela pelas redondezas da Avenida Paulista, a de uma mulher infeliz que leva uma vida dupla e descobre o prazer nas ruas e praças escuras da cidade e a de um sujeito que rouba uma bicicleta em um passeio de fim de semana. De todas as histórias pode-se extrair alguma situação que perfeitamente se encaixa em alguma experiência de nossas vidas cotidianas.

Os contos têm como fonte de inspiração acontecimentos que extrapolam o amor, tristeza, beleza, maldade, orgulho, simplicidade e a prepotência, que estão presentes nas vidas de seus personagens. As situações criadas nos contos reforçam a tese de que o homem é um ser individual e como tal traz traços de personalidade que deixam aflorar desejos, frustrações, ambições, fantasias e sonhos. Por outro lado, expressam debilidades e fraquezas que expõem a sua fragilidade diante de um mundo cada vez mais feroz e seletivo. As histórias são narradas com a sensibilidade de quem olha através de um caleidoscópio, onde as possibilidades são inúmeras dependendo do angulo de visão e da disposição de enxergar situações nem sempre visíveis ao primeiro olhar.

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2014
05.01

Fleur NoirEla entrou naquele bar como um ônibus desgovernado. Trazia na testa o letreiro: “recém separada”. Era a sua noite de alforria depois da separação. Três semanas antes encontrou o marido com outro homem em sua cama. Chorou muitas lágrimas por uma semana, depois levantou a cabeça e decidiu mudar o rumo de sua vida. Mudou o cabelo, renovou o guarda-roupa e matriculou-se em uma academia.

Sentou-se e pediu um chope; pediu outro e depois mais outro. Estava completamente embriagada pois não tinha o hábito de beber, além disso raramente saia a noite. O marido sempre preferiu ficar em casa.

Sentia-se embriagada, mas com uma enorme sensação de liberdade. Deslocada, por várias vezes, olhou no celular se alguém havia ligado ou enviado alguma mensagem. Impossível pois não tinha amigos. Fingiu falar no celular por duas ou três vezes.

Um rapaz se aproxima com um copo na mão e pede para sentar-se com ela. Tentou responder, mas a voz não lhe saiu. (mais…)


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